segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

TROFÉU

APESAR DOS TERRORISTAS QUE NASCEM, COM CERTA FREQUÊNCIA EM SUAS SAGRADAS AREIAS, A aRÁBIA sAUDITA É O PRINCIPAL BASTIÃO DO OCIDENTE NO ORIENTE MÉDIO.

  UMA MONARQUIA DEMOCRÁTICA DEMOCRÁTICA : A CADA DIA VENDE AOS USA UM MILHÃO E MEIO DE PETRÓLEO , A BAIXO PREÇO , E A CADA DIA LHE COMPRA ARMAS , A ALTO PREÇO , POR DEZ MILHÕES DE DÓLARES.

  UMA MONARQUIA QUE AMA A LIBERDADE : PROÍBE OS PARTIDOS POLÍTICOS E SINDICATOS , DECAPITA OU MUTILA SEUS PRISIONEIROS AO ESTILO TALIBÃ E NÃO PERMITE QUE AS MULHERES DIRIJAM AUTOMÓVEIS , NEM QUE VIAJEM SEM PEMISSÃO DO MARIDO NEM DO PAPAI.


  DESDE MAIO DE 2000 A ARÁBIA SAUDITA É MEMBRO DA COMISSÃO DE DIREITOS HUMANOS DAS NAÇÕES UNIDAS .

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

SOLIDAR

A solidão amiga


A noite chegou, o trabalho acabou, é hora de voltar para casa. Lar, doce lar? Mas a casa está escura, a televisão apagada e tudo é silêncio. Ninguém para abrir a porta, ninguém à espera. Você está só. Vem a tristeza da solidão... O que mais você deseja é não estar em solidão...

Mas deixa que eu lhe diga: sua tristeza não vem da solidão. Vem das fantasias que surgem na solidão. Lembro-me de um jovem que amava a solidão: ficar sozinho, ler, ouvir, música... Assim, aos sábados, ele se preparava para uma noite de solidão feliz. Mas bastava que ele se assentasse para que as fantasias surgissem. Cenas. De um lado, amigos em festas felizes, em meio ao falatório, os risos, a cervejinha. Aí a cena se alterava: ele, sozinho naquela sala. Com certeza ninguém estava se lembrando dele. Naquela festa feliz, quem se lembraria dele? E aí a tristeza entrava e ele não mais podia curtir a sua amiga solidão. O remédio era sair, encontrar-se com a turma para encontrar a alegria da festa. Vestia-se, saía, ia para a festa... Mas na festa ele percebia que festas reais não são iguais às festas imaginadas. Era um desencontro, uma impossibilidade de compartilhar as coisas da sua solidão... A noite estava perdida.
Faço-lhe uma sugestão: leia o livro A chama de uma vela, de Bachelard. É um dos livros mais solitários e mais bonitos que jamais li. A chama de uma vela, por oposição às luzes das lâmpadas elétricas, é sempre solitária. A chama de uma vela cria, ao seu redor, um círculo de claridade mansa que se perde nas sombras. Bachelard medita diante da chama solitária de uma vela. Ao seu redor, as sombras e o silêncio. Nenhum falatório bobo ou riso fácil para perturbar a verdade da sua alma. Lendo o livro solitário de Bachelard eu encontrei comunhão. Sempre encontro comunhão quando o leio. As grandes comunhões não acontecem em meio aos risos da festa. Elas acontecem, paradoxalmente, na ausência do outro. Quem ama sabe disso. É precisamente na ausência que a proximidade é maior. Bachelard, ausente: eu o abracei agradecido por ele assim me entender tão bem. Como ele observa, “parece que há em nós cantos sombrios que toleram apenas uma luz bruxoleante. Um coração sensível gosta de valores frágeis“. A vela solitária de Bachelard iluminou meus cantos sombrios, fez-me ver os objetos que se escondem quando há mais gente na cena. E ele faz uma pergunta que julgo fundamental e que proponho a você, como motivo de meditação: “Como se comporta a Sua Solidão?“ Minha solidão? Há uma solidão que é minha, diferente das solidões dos outros? A solidão se comporta? Se a minha solidão se comporta, ela não é apenas uma realidade bruta e morta. Ela tem vida.
Entre as muitas coisas profundas que Sartre disse, essa é a que mais amo: “Não importa o que fizeram com você. O que importa é o que você faz com aquilo que fizeram com você.“ Pare. Leia de novo. E pense. Você lamenta essa maldade que a vida está fazendo com você, a solidão. Se Sartre está certo, essa maldade pode ser o lugar onde você vai plantar o seu jardim.
Como é que a sua solidão se comporta? Ou, talvez, dando um giro na pergunta: Como você se comporta com a sua solidão? O que é que você está fazendo com a sua solidão? Quando você a lamenta, você está dizendo que gostaria de se livrar dela, que ela é um sofrimento, uma doença, uma inimiga... Aprenda isso: as coisas são os nomes que lhe damos. Se chamo minha solidão de inimiga, ela será minha inimiga. Mas será possível chamá-la de amiga? Drummond acha que sim:


“Por muito tempo achei que a ausência é falta.


E lastimava, ignorante, a falta.


Hoje não a lastimo.


Não há falta na ausência. A ausência é um estar em mim.


E sinto-a, branca, tão pegada, aconchegada nos meus braços,


que rio e danço e invento exclamações alegres,


porque a ausência, essa ausência assimilada,


ninguém a rouba mais de mim.!“



Nietzsche também tinha a solidão como sua companheira. Sozinho, doente, tinha enxaquecas terríveis que duravam três dias e o deixavam cego. Ele tirava suas alegrias de longas caminhadas pelas montanhas, da música e de uns poucos livros que ele amava. Eis aí três companheiras maravilhosas! Vejo, frequentemente, pessoas que caminham por razões da saúde. Incapazes de caminhar sozinhas, vão aos pares, aos bandos. E vão falando, falando, sem ver o mundo maravilhoso que as cerca. Falam porque não suportariam caminhar sozinhas. E, por isso mesmo, perdem a maior alegria das caminhadas, que é a alegria de estar em comunhão com a natureza. Elas não vêem as árvores, nem as flores, nem as nuvens e nem sentem o vento. Que troca infeliz! Trocam as vozes do silêncio pelo falatório vulgar. Se estivessem a sós com a natureza, em silêncio, sua solidão tornaria possível que elas ouvissem o que a natureza tem a dizer. O estar juntos não quer dizer comunhão. O estar juntos, frequentemente, é uma forma terrível de solidão, um artifício para evitar o contato conosco mesmos. Sartre chegou ao ponto de dizer que “o inferno é o outro.“ Sobre isso, quem sabe, conversaremos outro dia... Mas, voltando a Nietzsche, eis o que ele escreveu sobre a sua solidão:
“Ó solidão! Solidão, meu lar!... Tua voz – ela me fala com ternura e felicidade! Não discutimos, não queixamos e muitas vezes caminhamos juntos através de portas abertas. Pois onde quer que estás, ali as coisas são abertas e luminosas. E até mesmo as horas caminham com pés saltitantes.

Ali as palavras e os tempos

poemas de todo o ser se abrem diante de mim. Ali todo ser deseja transformar-se em palavra, e toda mudança pede para aprender de mim a falar.“


E o Vinícius? Você se lembra do seu poema O operário em construção? Vivia o operário em meio a muita gente, trabalhando, falando. E enquanto ele trabalhava e falava ele nada via, nada compreendia. Mas aconteceu que, “certo dia, à mesa, ao cortar o pão, o operário foi tomado de uma súbita emoção ao constatar assombrado que tudo naquela casa – garrafa, prato, facão – era ele que os fazia, ele, um humilde operário, um operário em construção (...) Ah! Homens de pensamento, não sabereis nunca o quando aquele humilde operário soube naquele momento! Naquela casa vazia que ele mesmo levantara, um mundo novo nascia de que nem sequer suspeitava. O operário emocionado olhou sua própria mão, sua rude mão de operário, e olhando bem para ela teve um segundo a impressão de que não havia no mundo coisa que fosse mais bela. Foi dentro da compreensão desse instante solitário que, tal sua construção, cresceu também o operário. (...) E o operário adquiriu uma nova dimensão: a dimensão da poesia.“

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Escutatória

Sempre vejo anunciados cursos de oratória. Nunca vi anunciado curso de escutatória.


Todo mundo quer aprender a falar, ninguém quer aprender a ouvir.

Pensei em oferecer um curso de escutatória, mas acho que ninguém vai se matricular.



Escutar é complicado e sutil.

Diz Alberto Caeiro que "não é bastante não ser cego para ver as árvores e as flores. É preciso também não ter filosofia nenhuma".



Filosofia é um monte de idéias, dentro da cabeça, sobre como são as coisas. Para se ver, é preciso que a cabeça esteja vazia.



Parafraseio o Alberto Caeiro:

"Não é bastante ter ouvidos para ouvir o que é dito; é preciso também que haja silêncio dentro da alma".



Daí a dificuldade: a gente não agüenta ouvir o que o outro diz sem logo dar um palpite melhor, sem misturar o que ele diz com aquilo que a gente tem a dizer. Como se aquilo que ele diz não fosse digno de descansada consideração e precisasse ser complementado por aquilo que a gente tem a dizer, que é muito melhor.



Nossa incapacidade de ouvir é a manifestação mais constante e sutil de nossa arrogância e vaidade: no fundo, somos os mais bonitos...



Tenho um velho amigo, Jovelino, que se mudou para os Estados Unidos estimulado pela revolução de 64.

Contou-me de sua experiência com os índios: reunidos os participantes, ninguém fala. Há um longo, longo silêncio.

(Os pianistas, antes de iniciar o concerto, diante do piano, ficam assentados em silêncio, [...]. Abrindo vazios de silêncio. Expulsando todas as idéias estranhas.).



Todos em silêncio, à espera do pensamento essencial. Aí, de repente, alguém fala. Curto. Todos ouvem. Terminada a fala, novo silêncio.



Falar logo em seguida seria um grande desrespeito, pois o outro falou os seus pensamentos, pensamentos que ele julgava essenciais.

São-me estranhos. É preciso tempo para entender o que o outro falou.



Se eu falar logo a seguir, são duas as possibilidades.

Primeira: "Fiquei em silêncio só por delicadeza. Na verdade, não ouvi o que você falou. Enquanto você falava, eu pensava nas coisas que iria falar quando você terminasse sua (tola) fala. Falo como se você não tivesse falado".



Segunda: "Ouvi o que você falou. Mas isso que você falou como novidade eu já pensei há muito tempo. É coisa velha para mim. Tanto que nem preciso pensar sobre o que você falou".



Em ambos os casos, estou chamando o outro de tolo. O que é pior que uma bofetada.



O longo silêncio quer dizer: "Estou ponderando cuidadosamente tudo aquilo que você falou". E assim vai a reunião.

Não basta o silêncio de fora. É preciso silêncio dentro. Ausência de pensamentos.

E aí, quando se faz o silêncio dentro, a gente começa a ouvir coisas que não ouvia.



Eu comecei a ouvir.



Fernando Pessoa conhecia a experiência, e se referia a algo que se ouve nos interstícios das palavras, no lugar onde não há palavras.



A música acontece no silêncio. A alma é uma catedral submersa. No fundo do mar - quem faz mergulho sabe - a boca fica fechada. Somos todos olhos e ouvidos. Aí, livres dos ruídos do falatório e dos saberes da filosofia, ouvimos a melodia que não havia, que de tão linda nos faz chorar.



Para mim, Deus é isto: a beleza que se ouve no silêncio. Daí a importância de saber ouvir os outros: a beleza mora lá também.



Comunhão é quando a beleza do outro e a beleza da gente se juntam num contraponto.
 

Rubem Alves

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

DEDIQUE-SE


Assisti a algumas imagens do velório do Bussunda, quando os colegas do Casseta & Planeta deram seus depoimentos. Parecia que a qualquer instante iria estourar uma piada. Estava tudo sério demais, faltava a esculhambação, a zombaria, a desestruturação da cena. Mas nada acontecia ali de risível, era só dor e perplexidade, que é mesmo o que a morte causa em todos os que ficam. A verdade é que não havia nada a acrescentar no roteiro: a morte, por si só, é uma piada pronta. Morrer é ridículo. Você combinou de jantar com a namorada, está em pleno tratamento dentário, tem planos pra semana que vem, precisa autenticar um documento em cartório, colocar gasolina no carro e no meio da tarde morre. Como assim? E os e-mails que você ainda não abriu, o livro que ficou pela metade, o telefonema que você prometeu dar à tardinha para um cliente? Não sei de onde tiraram esta idéia: morrer. A troco? Você passou mais de 10 anos da sua vida dentro de um colégio estudando fórmulas químicas que não serviriam pra nada, mas se manteve lá, fez as provas, foi em frente. Praticou muita educação física, quase perdeu o fôlego, mas não desistiu. Passou madrugadas sem dormir para estudar pro vestibular mesmo sem ter certeza do que gostaria de fazer da vida, cheio de dúvidas quanto à profissão escolhida, mas era hora de decidir, então decidiu, e mais uma vez foi em frente. De uma hora pra outra, tudo isso termina numa colisão na freeway, numa artéria entupida, num disparo feito por um delinqüente que gostou do seu tênis. Qual é? Morrer é um cliche. Obriga você a sair no melhor da festa sem se despedir de ninguém, sem ter dançado com a garota mais linda, sem ter tido tempo de ouvir outra vez sua música preferida. Você deixou em casa suas camisas penduradas nos cabides, sua toalha úmida no varal, e penduradas também algumas contas. Os outros vão ser obrigados a arrumar suas tralhas, a mexer nas suas gavetas, a apagar as pistas que você deixou durante uma vida inteira. Logo você, que sempre dizia: das minhas coisas cuido eu. Que pegadinha macabra: você sai sem tomar café e talvez não almoce, caminha por uma rua e talvez não chegue na próxima esquina, começa a falar e talvez não conclua o que pretende dizer. Não faz exames médicos, fuma dois maços por dia, bebe de tudo, curte costelas gordas e mulheres magras e morre num sábado de manhã. Se faz check-up regulares e não tem vícios, morre do mesmo jeito. Isso é para ser levado a sério? Tendo mais de cem anos de idade, vá lá, o sono eterno pode ser bem-vindo. Já não há mesmo muito a fazer, o corpo não acompanha a mente, e a mente também já rateia, sem falar que há quase nada guardado nas gavetas. Ok, hora de descansar em paz. Mas antes de viver tudo, antes de viver até a rapa? Não se faz. Morrer cedo é uma transgressão, desfaz a ordem natural das coisas. Morrer é um exagero. E, como se sabe, o exagero é a matéria-prima das piadas. Só que esta não tem graça.


quarta-feira, 21 de outubro de 2009



ESCREVER

Estava eu numa tarde de sol em casa, pensando no que escrever. Pensei em literatura, filosofia, educação, política, mas nada fecundava. Até que pensei: Porque escrever... Porque não apenas pensar... Talvez escrever seja objeto de consumo... Talvez uma forma de materializar sentimentos... Não sei, só sei que este hábito me alimenta o espírito e da uma coceira nas idéias, me faz perceber que existo, pois penso.
Apesar da minha briga com Descartes hei de concordar com ele: Posso duvidar de tudo que existe, mas para duvidar preciso pensar que duvido. Se pensar, o pensamento existe, e se eu penso, também existo.
Louco isso né?
Mas então porque escrever se meu pensamento já existe?
Ah, talvez seja uma pontinha de esperança de dividir esse pensamento com alguém, ou então é vontade de ver materializado meus pensamentos... Nossa (!!!), será que a doença do imediatismo me pegou...
Acho que ainda não, pois apesar de querer escrever algo (que ainda não sei o que é) os pensamentos afastaram-se.
Então acho que vou escrever algo sobre literatura, filosofia, educação...

domingo, 18 de outubro de 2009

relacionamento


Minha mulher e eu temos o segredo para fazer um casamento durar:Duas vezes por semana, vamos a um ótimo restaurante, com uma comida gostosa, uma boa bebida e um bom companheirismo. Ela vai às terças-feiras e eu, às quintas. Nós também dormimos em camas separadas: a dela é em Fortaleza e a minha, em SP. Eu levo minha mulher a todos os lugares, mas ela sempre acha o caminho de volta. Perguntei a ela onde ela gostaria de ir no nosso aniversário de casamento, "em algum lugar que eu não tenha ido há muito tempo!" ela disse. Então, sugeri a cozinha. Nós sempre andamos de mãos dadas... Se eu soltar, ela vai às compras! Ela tem um liquidificador, uma torradeira e uma máquina de fazer pão, tudo elétrico. Então, ela disse: "nós temos muitos aparelhos, mas não temos lugar pra sentar".Daí, comprei pra ela uma cadeira elétrica. Lembrem-se: o casamento é a causa número 1 para o divórcio. Estatisticamente, 100 % dos divórcios começam com o casamento. Eu me casei com a "senhora certa".Só não sabia que o primeiro nome dela era "sempre".Já faz 18 meses que não falo com minha esposa. É que não gosto de interrompê-la. Mas, tenho que admitir: a nossa última briga foi culpa minha. Ela perguntou: "O que tem na TV?" E eu disse: "Poeira".Luís Fernando Veríssimo

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

JUVENTUDE




Falar sobre política brasileira é o que todo jovem deveria saber fazer, ou ao menos entender o que é.
Todavia, vivemos em um país onde não há interesse governamental para que os jovens entendam,debatam, opinem e guiem discussões sobre política pública.
Esse não interesse justifica-se em função de que para quem está no poder não é interessante que o povo e principalmente os jovens (que teoricamente são mais revolucionários e “barulhentos”) entendam o que se passa com o país, com seu dinheiro e etc.
Se o povo entender sobre política ele começará a opinar, a corrigir e a cobrar, aí então quem está no poder terá que passar a trabalhar corretamente, e supostamente sobre pressão. Então é mais fácil “criar” uma cultura que prega que certos assuntos são apenas para “adultos”.
Quantas vezes ouvi quando criança:
-Não te mete guri, isso é assunto de “gente grande”.
E porque será que minha professora de Educação Moral e Cívica da segunda série do ensino fundamental, quando fez uma votação para eleger o representante da turma, ficou brava comigo quando lhe perguntei inocentemente sobre porque precisaria de alguém me representando? E porque será que ela não me respondeu?
É a nossa cultura... ORDEM E PROGRESSO onde nos foi ensinado que se quisermos progredir não devemos perturbar a ordem. E isso que acontecia à vinte anos atrás está refletindo agora.
Percebi isso conversando sobre política com alguns que se julgam entendidos, e pasmem, muitos dos que opinavam, falavam de coisas que ouviram dizer, e assimilaram sem qualquer questionamento, pois quando lhes foi perguntado o porquê de tais opiniões eles não tinham base teórica para justificar tais argumentos.
Então... Falar até papagaio fala... E como diria Kant: O homem não é um ser racional, e sim com capacidade de raciocinar...
Concordo com ele, pois não agimos como racionais o tempo todo.
Então política acaba tornando-se assunto importante, apenas quando atinge diretamente o bolso do cidadão...
Então eu pergunto:


Como chegar a um país (ou governo) mais justo, se entre o povo há interesses diferentes?

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

SER ESTUDANTE



SER ESTUDANTE
Como é estudar? Como se estuda? Como é ser um estudante?
Com certeza as respostas a essas perguntas diferem de um estudante para outro. Mas se essa mesma pergunta fosse feita para alguém que nunca teve a chance de estudar, qual seria a resposta?
Inicio fazendo essa reflexão porque tenho visto ultimamente vários casos de violência, cometidos por estudantes de ensino superior, casos na qual rebaixa o ser humano a categorias ainda inexistentes na natureza, tornando-nos menos “racionais” que os animais desprovidos de intelecto. Então me pergunto: Para que serve a universidade? E o que traz de proveitoso para a sociedade? Seria para formar pessoas com o intelecto capaz de produzir uma bomba atômica, ou metralhadoras capazes de disparar quinhentos tiros por minuto, armas biológicas, ou então pessoas que agridem covardemente uma doméstica apenas porque a confundiram com uma prostituta, ou então seria fornecer status a indivíduos que amarram uma cachorrinha (grávida) na traseira de um carro e a arrastam até a morte...
Inacreditável, mas isso foi feito por quem concluiu ou está concluindo um curso superior. Será que eles pagarão pelos seus crimes, ou alguém que estudou não vê isso como crime. E se pagarem, será que merecem cela especial porque estudaram.
Qual é o sentido de estudar? De ser estudante?
No sentido que aprendi esses indivíduos citados anteriormente não se encaixam.
No sentido que aprendi, estudar era construir-se.
Um estudante é quem está em constante construção. É como um diamante sendo polido. E não falo apenas do estudante formal, e sim de todo aquele que aplica sua inteligência á alguma coisa (construtiva).
Se eu pudesse andaria com uma placa em meu peito escrito assim: EM CONSTRUÇÂO, para mostrar que ainda estou nesse processo de aprimoramento, ainda sou e sempre serei um ser “EM OBRAS”.
Então concluo com o pensamento de Karl Marx em sua crítica aos filósofos: “chega de explicar o mundo, precisamos é modificá-lo”
(eu estudo para isso).

quarta-feira, 29 de abril de 2009

resumo Mário Quintana

Antologia Poética, de Mário Quintana

A Antologia Poética de Mário Quintana foi publicada pela primeira vez em 1966, com 60 poemas inéditos, e foi organizada por Rubem Braga e Paulo Mendes Campos.Uma nova edição foi publicada em 1977. Neste volume estão reunidos cerca de 200 poemas entre os mais marcantes produzidos pelo poeta. Mário Quintana foi um dos maiores poetas brasileiros da segunda metade do século, ocupando a restrita galeria de grandes poetas que obtiveram enorme reconhecimento popular, como Vinicius de Morais, Carlos Drummond de Andrade, Cecília Meireles e Manuel Bandeira. A seleção cuidadosa de Sergio Faraco revela ao leitor uma parte significativa da obra desse grande poeta. Transitando, habilmente, por temas do cotidiano e sugerindo uma reflexão sobre as questões mais interessantes da vida - como o passado e a morte -, Quintana consegue se expressar de maneira simples e comoventemente terna, num lirismo ao mesmo tempo encantador, realista, crítico.Mário Quintana é um desses escritores cujas frases, líricas, estão submetidas a um mesmo espírito que segue a proposta baudelairiana de “a infância reencontrada”. O jogo lúdico da banalidade de um cotidiano singelo sem finalidade é visto, entretanto, pela sensibilidade do poeta como um jogo lúcido, dentro do qual se extraem os espantos decorrentes de um mundo que, se simples, é, sobretudo, desconcertante.
Em uma aparente ingenuidade formal se esconde uma rede de sentidos, elipses, alusões, sutilezas verbais e rítmicas que revelam a grandeza desse poeta. Sendo a tarefa da poesia resguardar na linguagem o mistério do dia-a-dia, celebrá-lo em palavras, não é à toa que inúmeros versos de Quintana se incorporam à sabedoria popular, sem que as pessoas nem desconfiem de sua autoria.
Despreocupado em relação à crítica, Mário Quintana fazia poesia porque "sentia necessidade", segundo suas próprias palavras. Em sua poesia há um constante travo de pessimismo e muito de ternura por um mundo que, parece, lhe é adverso.
A poesia de Mário Quintana se caracteriza por um profundo humanismo, no conteúdo, e na forma, por uma "difícil simplicidade". Ternura, melancolia, intimismo, misticismo, humor irônico (para disfarçar o sentimentalismo), nostalgia da infância, de pureza - são os motivos de seu mundo poético.
A facilidade com que se exprime é ilusória: nada existe aí parecido com soluções fáceis. É o artista consciente das virtualidades expressivas de seu instrumento, do verso e da língua.Atraído pelo realismo mágico ou fantástico, por visões oníricas ou surrealistas, Mário Quintana procura comunicar esse mundo supra-real mediante uma grande economia, mas também grande eficiência de meios.Consegue-o com o poder sintético das imagens, metáforas, sinestesias, associações insólitas e outros tantos recursos da poesia moderna.
O conjunto poético do livro mostra um poeta com lembranças da infância, com olhar para uma rua imaginária, olhar este varia entre a ironia e a melancolia.
A poesia de Quintana é a humanidade posta em verso. Daí seu humor não apresentar o traço racional, intelectualizado, mas aproximar-se de uma visão chapliniana do mundo, não distanciada da que teria o homem comum.
Em permanente “estado poético” Quintana parece não escolher assunto:
Todos lhe servem, tudo o que existe é poético na sua percepção feiticeira. Ao fazer poesia como quem respira, Quintana não se situa, como poeta, acima dos demais ou fora do mundo. Ao contrário, sendo um entre outros (“Eu nada entendo da questão social./ Eu faço parte dela, simplesmente...”), como dirá, ele se dilui no contexto geral. Assim, o social, em Quintana, não está designado pelo poema: é o poema. Note-se, nesse sentido, o soneto IV, de A rua dos cataventos, em seu final:
Pra que viver assim num outro plano?
Entremos no bulício cotidiano...O ritmo da rua nos convida.
Vem! Vamos cair na multidão!
Não é poesia socialista...Não.Meu pobre Anjo...É...simplesmente...a Vida!...
Para muitos a menção à poesia de Mario Quintana faz esboçar-se um sorriso de alegria. São aqueles que acreditam ver, nesta poesia, uma ingenuidade e uma simplicidade que tem feito, muitas vezes, o sucesso deste que tem sido apontado como um dos maiores poetas brasileiros. Para outras, o poeta apresenta uma poesia triste, de quem tem consciência do próprio problema e ante à possibilidade de resolve-lo, enfrenta-o resolutamente, sem qualquer desespero; e sua ironia por vezes até ferina, está a dizer coisas bem menos cor-de-rosas e bonitas.Uma poesia extremamente crítica, a obra de Quintana constrói-se na tensão criada entre os opostos (pessimismo e alegria de viver). Por exemplo, no livro de estréia, “A rua dos cataventos” (todo ele feito em sonetos) o poeta indaga-se a respeito da morte, ao mesmo tempo que reafirma a vida e, aí encontra-se o famoso Soneto XVII em que se lê:
Da vez primeira em que me assassinaramPerdi um jeito de sorrir que eu tinha...
Depois de cada vez que me mataram,
Foram levando qualquer coisa minha...
E hoje dos meus cadáveres eu souO mais desnudo, o que não tem mais nada...
Arde um toco de vela amarelada...
Como o único bem que me ficou.
Vinde, corvos, chacais, ladrões da estrada!
Ah! Desta mão, avaramente adunca,Ninguém há de arrancar-me a luz sagrada.Aves da noite!
Assas de horror! Voejai!Que a luz, trêmula e triste como um ai,A luz do morto não se apaga nunca.
Além da obcecação pelos temas da morte e da vida, acrescenta-se a estas a infância perdida, a ojeriza que o poeta experimenta pelas grandes metrópoles, a defesa da boemia, a saudade das pequenas cidades e vilas, o pôr-do-sol do rio Guaíba.Obra marcada por uma grande diversidade de temas:• tristeza das coisas• morte • infância (Alegrete) • progresso • Porto Alegre • Ironia do cotidiano Características: • individualismo • pureza • profundo humanismo • finíssimo senso de humor • poesia epigramática • musicalidade • intimismo• pureza • nostalgia da infância • simplicidade • liberdade poética • cromatismo.
Recordo Ainda...
Para Dyonélio Machado
Recordo ainda...
E nada mais me importa...
Aqueles dias de uma luz tão mansaQue me deixavam, sempre, na lembrança,
Algum brinquedo novo à minha porta..
.Mas veio um vento de DesesperançaSoprando cinzas pela noite morta!
E eu pendurei na galharia torta
Todos os meus brinquedos de criança...
Estrada afora após segui...
Mas ai,
Embora idade e senso eu aparente,
Não vos iluda o velho que aqui vai:
Eu quero os meus brinquedos novamente!
Sou um pobre menino...acreditai...
Que envelheceu, um dia, de repente!...
Não é à toa que Mario Quintana é considerado por muitos como um poeta de romantismo tardio. Seus versos por vezes recuperam as paisagens da infância perdida, unindo, vias lembrança, o velho ao menino, aquilo que o tempo distanciou. Tema nostálgico, ao gosto romântico."Recordo ainda...", quanto à métrica é versos decassílabos, rimas interpoladas e alternadas, com recursos do soneto clássico, com referências simbolistas e românticas (=Meus oitos anos, de Casimiro de Abreu) e o assunto central: a idealização da infância como a época mais bela da vida do poeta. Canção para um valsa lenta
.Se me amas, não digas, que morroDe surpresa...de encanto...de medo... Minha vida não foi um romance...Min há vida passou por passar.Se não amas, não finjas, que vivoEsperando um amor para amar. Minha vida não foi um romance...Pobre vida...passou sem enredo...Glória a ti que me enches a vidaDe surpresa, de encanto, de medo! Minha vida não foi um romance...Ai de mim...Já se ia acabar!Pobre vida que toda dependeDe um sorriso..de um gesto...um olhar... O Mapa Olho o mapa da cidadeComo quem examinasseA anatomia de um corpo... (E nem que fosse o meu corpo!) Sinto uma dor infinitaDas ruas de Porto AlegreOnde jamais passarei... Há tanta esquina esquisita.Tanta nuança de paredes.Há tanta moça bonita Nas ruas que não andei(E há uma rua encantadaque nem em sonhos sonhei...) quando eu for, um dia desses,poeira ou folha levadano vento da madrugada.Serei um pouco do nadaInvisível, delicioso Que faz com que o teu arPareça mais um olhar.Suave mistério amoroso.Cidade de meu andar (Deste já tão longo andar!) E talvez de meu repouso...O amor à cidade que o acolheu, com descrição minuciosa de um olhar de poeta. Esconderijos do Tempo Pela corola do gramofone O Caruso cantava Uma Furtiva Lágrima e ninguém levava a mal aquele tom fanhoso, talvez porque todo o mundo sabia que ele já estava morto. Se alguém espiasse pela goela do gramofone, poderia ver como era o Outro Mundo,mas ninguém olhava parque devia ser muito, muito longe a ponto de estragar o som daquela maneira. E o pobre Caruso cantava que te cantava afogado pelas águas do tempo e por isso a sua voz era ainda mais pungente: não é brinquedo estar morto e continuar cantando. Caruso, eu estou pensando estas coisas não aqui e agora mas naquele Café que tu sabes, lá por volta de 1923... Também não é brinquedo continuar vivo e ficar falando para o que passou! "Esconderijos do Tempo" aborda a psicologia do ser humano, relacionado ao aspecto social. A ênfase é dada à falta de personalidade, de aceitação às condições de cada um. O ser humano é frustrado, perdeu sua individualidade, sua riqueza espiritual. Percebe-se a possível intenção do autor, em alertar o homem, e exigir dele a solução destes problemas. Sem contudo desconhecer que, a causa e a solução encontram-se no próprio homem.Ritmo Na porta a varredeira varre o cisco varre o cisco varre o cisco Na piaa menininha escova os dentes escova os dentes escova os dentes No arroio a lavadeira bate a roupa bate a roupa bate a roupa até que enfim se desenrola toda a cordae o mundo gira imóvel como um pião! Poema de Circunstância Onde estão os meus verdes?Os meus azuis?O arranha-céu comeu!E ainda falam nos mastodontes, nos brotossauros, nos tiranossauros,Que mais sei eu...Os verdadeiros monstros, os papões, são eles,os arranha-céus! DaquiDo fundo Das suas goelas, Só vemos o céu, estreitamente, através de suas Empinadas gargantas ressecas. Para que lhes serviu beberem tanta luz? De fronte À janela aonde trabalho... Há uma grande árvore... Mas já estão gestando um monstro de permeio! Sim, uma grande árvore muito verde...Ah, Todos os meus olhares são de adeus Como o último olhar de um condenado! • Métrica: versos irregulares • Rima: não há • Assunto: a desumanização do ambiente urbano • Recursos: disposição dos versos privilegiando integração entre a forma e conteúdo. Ex.: versos 7, 8, 9, 10 = foco visual: um funil. • Perguntas: - Quem está destruindo o verde e o azul? Os arranha-céus. - Para o poeta, os verdadeiros monstros são? Os arranha-céus. - Como as pessoas vêem o céu por causa do arranha-céu? Através de suas gargantas ressecas. - Segundo o texto, quem bebe a luz é? O arranha-céu. - Onde ficava a grande árvore? De fronte a janela, onde trabalhava o poeta. Portanto, neste poema, o eu-lírico luta contra a era moderna: a massificação, cidades grandes, a vida agitada, com o olhar de um condenado (pessimismo).Textos escolhidos:Os poemasOs poemas são pássaros que chegamnão se sabe de onde e pousamno livro que lês.Quando fechas o livro, eles alçam vôocomo de um alçapão.Eles não têm pousonem portoalimentam-se um instante em cada par de mãose partem.E olhas, então, essas tuas mãos vazias,no maravilhoso espanto de saberesque o alimento deles já estava em ti...EspelhoPor acaso, surpreendo-me no espelho:Quem é esse que me olha e é tão mais velho que eu? (...)Parece meu velho pai - que já morreu! (...)Nosso olhar duro interroga:"O que fizeste de mim?" Eu pai? Tu é que me invadiste.Lentamente, ruga a ruga... Que importa!Eu sou ainda aquele mesmo menino teimoso de sempreE os teus planos enfim lá se foram por terra,Mas sei que vi, um dia - a longa, a inútil guerra!Vi sorrir nesses cansados olhos um orgulho triste..."A rua dos cataventosDa vez primeira em que me assassinaram,Perdi um jeito de sorrir que eu tinha.Depois, a cada vez que me mataram,Foram levando qualquer coisa minha.Hoje, dos meu cadáveres eu souO mais desnudo, o que não tem mais nada.Arde um toco de Vela amarelada,Como único bem que me ficou.Vinde! Corvos, chacais, ladrões de estrada!Pois dessa mão avaramente aduncaNão haverão de arracar a luz sagrada!Aves da noite! Asas do horror! Voejai!Que a luz trêmula e triste como um ai,A luz de um morto não se apaga nunca!Poema da gare de AstapovoO velho Leon Tolstoi fugiu de casa aos oitenta anosE foi morrer na gare de Astapovo!Com certeza sentou-se a um velho banco,Um desses velhos bancos lustrosos pelo usoQue existem em todas as estaçõezinhas pobres do mundoContra uma parede nua...Sentou-se ...e sorriu amargamentePensando queEm toda a sua vidaApenas restava de seu a Gloria,Esse irrisório chocalho cheio de guizos e fitinhasColoridasNas mãos esclerosadas de um caduco!E entao a Morte,Ao vê-lo tao sozinho aquela horaNa estação deserta,Julgou que ele estivesse ali a sua espera,Quando apenas sentara para descansar um pouco!A morte chegou na sua antiga locomotiva(Ela sempre chega pontualmente na hora incerta...)Mas talvez não pensou em nada disso, o grande Velho,E quem sabe se ate não morreu feliz: ele fugiu...Ele fugiu de casa...Ele fugiu de casa aos oitenta anos de idade...Não são todos que realizam os velhos sonhos da infância!O MortoEu estava dormindo e me acordaramE me encontrei, assim, num mundo estranho e louco...E quando eu começava a compreendê-loUm pouco,Já eram horas de dormir de novo!Minha CançãoMinha terra não tem palmeiras...E em vez de um mero sabiá, Cantam aves invisíveisNas palmeiras que não há.Minha terra tem refúgios, Cada qual com a sua hora Nos mais diversos instantes... Mas onde o instante de agora?Mas a palavra "onde"?Terra ingrata, ingrato filho, Sob os céus de minha terra Eu canto a Canção do Exílio.O silêncioO mundo, às vezes, fica-me tão insignificativo Como um filme que houvesse perdido de repente o som. Vejo homens, mulheres, peixes abrindo e fechando a [boca num aquário Ou multidões: macacos pula-pulando nas arquibancadas [dos estádios...Mas o mais triste é essa tristeza toda colorida dos [carnavais Como a maquilagem das velhas prostitutas fazendo [trottoir. Às vezes eu penso que já fui um dia um rei, imóvel no [seu palanque, Obrigado a ficar olhando Intermináveis desfiles, torneiros, procissões, tudo isso... Oh! Decididamente o meu reino não é deste mundo! Nem do outro...

domingo, 26 de abril de 2009

Carlos Drummond de Andrade


A Rosa do Povo
Obra-chave dentro da produção de Drummond, A rosa do povo, publicada em 1945, reflete a maturidade que o poeta alcançou desde sua estréia. Nela, conforme já se afirmou, além de acentuado progresso técnico-formal, estão presentes duas conquistas decisivas para a evolução de nossa literatura: o realismo social, particularmente penetrante e que não se restringe, apenas ao lirismo da poesia engajada; a poesia metapoética, alimentada pela reflexão introspectiva sobre o sentido da escrita como obra de arte.
Este é o mais extenso e o mais variado dos livros de Drummond ( 55 poemas, alguns longos). Nele desfilam os principais temas de sua obra; o verso livre e a estrofação irregular alternam com versos de métrica tradicional dispostos em estrofes regulares; o estilo ora é "puro"(elevado, "poético" ), ora é "mesclado"(mistura de elevado e vulgar, sério e grotesco).
Livro difícil, é dos mais discutidos e apreciados da poesia moderna brasileira. Obra de linguagem poética com participação social. Os poemas de A rosa do povo foram escritos nos anos sombrios da ditadura de Vargas e da Segunda Guerra Mundial. Os acontecimentos provocam o poeta, que se aproxima da ideologia revolucionária anticapitalista de inspiração socialista, e manifesta sua revolta e sua esperança em poemas indignados e intenso. Temas: eu-estar no mundo ( o amor, a família, o tempo, a velhice), a metapoesia (poesia pela própria poesia), eu igual ao mundo,... Portanto, em A rosa do povo, o poeta testemunha sua reação ante a dor coletiva e a miséria do mundo moderno, com seu mecanismo, seu materialismo, sua falta de humanidade.
Essa fase enriqueceu sua essencialidade lírica e emocional, e, através da profunda consciência artística, o poeta atingiu a plenitude, a cristalização, a humanização, sob a forma suave e terna, em que o itabirano mergulha no lençol profundo de sua província e de seus antepassados, para melhor compreender a "máquina do mundo", a angústia de seu tempo, o desarvoramento do homem contemporâneo, com um largo sentimento de fraternidade.