quinta-feira, 29 de outubro de 2009

DEDIQUE-SE


Assisti a algumas imagens do velório do Bussunda, quando os colegas do Casseta & Planeta deram seus depoimentos. Parecia que a qualquer instante iria estourar uma piada. Estava tudo sério demais, faltava a esculhambação, a zombaria, a desestruturação da cena. Mas nada acontecia ali de risível, era só dor e perplexidade, que é mesmo o que a morte causa em todos os que ficam. A verdade é que não havia nada a acrescentar no roteiro: a morte, por si só, é uma piada pronta. Morrer é ridículo. Você combinou de jantar com a namorada, está em pleno tratamento dentário, tem planos pra semana que vem, precisa autenticar um documento em cartório, colocar gasolina no carro e no meio da tarde morre. Como assim? E os e-mails que você ainda não abriu, o livro que ficou pela metade, o telefonema que você prometeu dar à tardinha para um cliente? Não sei de onde tiraram esta idéia: morrer. A troco? Você passou mais de 10 anos da sua vida dentro de um colégio estudando fórmulas químicas que não serviriam pra nada, mas se manteve lá, fez as provas, foi em frente. Praticou muita educação física, quase perdeu o fôlego, mas não desistiu. Passou madrugadas sem dormir para estudar pro vestibular mesmo sem ter certeza do que gostaria de fazer da vida, cheio de dúvidas quanto à profissão escolhida, mas era hora de decidir, então decidiu, e mais uma vez foi em frente. De uma hora pra outra, tudo isso termina numa colisão na freeway, numa artéria entupida, num disparo feito por um delinqüente que gostou do seu tênis. Qual é? Morrer é um cliche. Obriga você a sair no melhor da festa sem se despedir de ninguém, sem ter dançado com a garota mais linda, sem ter tido tempo de ouvir outra vez sua música preferida. Você deixou em casa suas camisas penduradas nos cabides, sua toalha úmida no varal, e penduradas também algumas contas. Os outros vão ser obrigados a arrumar suas tralhas, a mexer nas suas gavetas, a apagar as pistas que você deixou durante uma vida inteira. Logo você, que sempre dizia: das minhas coisas cuido eu. Que pegadinha macabra: você sai sem tomar café e talvez não almoce, caminha por uma rua e talvez não chegue na próxima esquina, começa a falar e talvez não conclua o que pretende dizer. Não faz exames médicos, fuma dois maços por dia, bebe de tudo, curte costelas gordas e mulheres magras e morre num sábado de manhã. Se faz check-up regulares e não tem vícios, morre do mesmo jeito. Isso é para ser levado a sério? Tendo mais de cem anos de idade, vá lá, o sono eterno pode ser bem-vindo. Já não há mesmo muito a fazer, o corpo não acompanha a mente, e a mente também já rateia, sem falar que há quase nada guardado nas gavetas. Ok, hora de descansar em paz. Mas antes de viver tudo, antes de viver até a rapa? Não se faz. Morrer cedo é uma transgressão, desfaz a ordem natural das coisas. Morrer é um exagero. E, como se sabe, o exagero é a matéria-prima das piadas. Só que esta não tem graça.


quarta-feira, 21 de outubro de 2009



ESCREVER

Estava eu numa tarde de sol em casa, pensando no que escrever. Pensei em literatura, filosofia, educação, política, mas nada fecundava. Até que pensei: Porque escrever... Porque não apenas pensar... Talvez escrever seja objeto de consumo... Talvez uma forma de materializar sentimentos... Não sei, só sei que este hábito me alimenta o espírito e da uma coceira nas idéias, me faz perceber que existo, pois penso.
Apesar da minha briga com Descartes hei de concordar com ele: Posso duvidar de tudo que existe, mas para duvidar preciso pensar que duvido. Se pensar, o pensamento existe, e se eu penso, também existo.
Louco isso né?
Mas então porque escrever se meu pensamento já existe?
Ah, talvez seja uma pontinha de esperança de dividir esse pensamento com alguém, ou então é vontade de ver materializado meus pensamentos... Nossa (!!!), será que a doença do imediatismo me pegou...
Acho que ainda não, pois apesar de querer escrever algo (que ainda não sei o que é) os pensamentos afastaram-se.
Então acho que vou escrever algo sobre literatura, filosofia, educação...

domingo, 18 de outubro de 2009

relacionamento


Minha mulher e eu temos o segredo para fazer um casamento durar:Duas vezes por semana, vamos a um ótimo restaurante, com uma comida gostosa, uma boa bebida e um bom companheirismo. Ela vai às terças-feiras e eu, às quintas. Nós também dormimos em camas separadas: a dela é em Fortaleza e a minha, em SP. Eu levo minha mulher a todos os lugares, mas ela sempre acha o caminho de volta. Perguntei a ela onde ela gostaria de ir no nosso aniversário de casamento, "em algum lugar que eu não tenha ido há muito tempo!" ela disse. Então, sugeri a cozinha. Nós sempre andamos de mãos dadas... Se eu soltar, ela vai às compras! Ela tem um liquidificador, uma torradeira e uma máquina de fazer pão, tudo elétrico. Então, ela disse: "nós temos muitos aparelhos, mas não temos lugar pra sentar".Daí, comprei pra ela uma cadeira elétrica. Lembrem-se: o casamento é a causa número 1 para o divórcio. Estatisticamente, 100 % dos divórcios começam com o casamento. Eu me casei com a "senhora certa".Só não sabia que o primeiro nome dela era "sempre".Já faz 18 meses que não falo com minha esposa. É que não gosto de interrompê-la. Mas, tenho que admitir: a nossa última briga foi culpa minha. Ela perguntou: "O que tem na TV?" E eu disse: "Poeira".Luís Fernando Veríssimo

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

JUVENTUDE




Falar sobre política brasileira é o que todo jovem deveria saber fazer, ou ao menos entender o que é.
Todavia, vivemos em um país onde não há interesse governamental para que os jovens entendam,debatam, opinem e guiem discussões sobre política pública.
Esse não interesse justifica-se em função de que para quem está no poder não é interessante que o povo e principalmente os jovens (que teoricamente são mais revolucionários e “barulhentos”) entendam o que se passa com o país, com seu dinheiro e etc.
Se o povo entender sobre política ele começará a opinar, a corrigir e a cobrar, aí então quem está no poder terá que passar a trabalhar corretamente, e supostamente sobre pressão. Então é mais fácil “criar” uma cultura que prega que certos assuntos são apenas para “adultos”.
Quantas vezes ouvi quando criança:
-Não te mete guri, isso é assunto de “gente grande”.
E porque será que minha professora de Educação Moral e Cívica da segunda série do ensino fundamental, quando fez uma votação para eleger o representante da turma, ficou brava comigo quando lhe perguntei inocentemente sobre porque precisaria de alguém me representando? E porque será que ela não me respondeu?
É a nossa cultura... ORDEM E PROGRESSO onde nos foi ensinado que se quisermos progredir não devemos perturbar a ordem. E isso que acontecia à vinte anos atrás está refletindo agora.
Percebi isso conversando sobre política com alguns que se julgam entendidos, e pasmem, muitos dos que opinavam, falavam de coisas que ouviram dizer, e assimilaram sem qualquer questionamento, pois quando lhes foi perguntado o porquê de tais opiniões eles não tinham base teórica para justificar tais argumentos.
Então... Falar até papagaio fala... E como diria Kant: O homem não é um ser racional, e sim com capacidade de raciocinar...
Concordo com ele, pois não agimos como racionais o tempo todo.
Então política acaba tornando-se assunto importante, apenas quando atinge diretamente o bolso do cidadão...
Então eu pergunto:


Como chegar a um país (ou governo) mais justo, se entre o povo há interesses diferentes?

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

SER ESTUDANTE



SER ESTUDANTE
Como é estudar? Como se estuda? Como é ser um estudante?
Com certeza as respostas a essas perguntas diferem de um estudante para outro. Mas se essa mesma pergunta fosse feita para alguém que nunca teve a chance de estudar, qual seria a resposta?
Inicio fazendo essa reflexão porque tenho visto ultimamente vários casos de violência, cometidos por estudantes de ensino superior, casos na qual rebaixa o ser humano a categorias ainda inexistentes na natureza, tornando-nos menos “racionais” que os animais desprovidos de intelecto. Então me pergunto: Para que serve a universidade? E o que traz de proveitoso para a sociedade? Seria para formar pessoas com o intelecto capaz de produzir uma bomba atômica, ou metralhadoras capazes de disparar quinhentos tiros por minuto, armas biológicas, ou então pessoas que agridem covardemente uma doméstica apenas porque a confundiram com uma prostituta, ou então seria fornecer status a indivíduos que amarram uma cachorrinha (grávida) na traseira de um carro e a arrastam até a morte...
Inacreditável, mas isso foi feito por quem concluiu ou está concluindo um curso superior. Será que eles pagarão pelos seus crimes, ou alguém que estudou não vê isso como crime. E se pagarem, será que merecem cela especial porque estudaram.
Qual é o sentido de estudar? De ser estudante?
No sentido que aprendi esses indivíduos citados anteriormente não se encaixam.
No sentido que aprendi, estudar era construir-se.
Um estudante é quem está em constante construção. É como um diamante sendo polido. E não falo apenas do estudante formal, e sim de todo aquele que aplica sua inteligência á alguma coisa (construtiva).
Se eu pudesse andaria com uma placa em meu peito escrito assim: EM CONSTRUÇÂO, para mostrar que ainda estou nesse processo de aprimoramento, ainda sou e sempre serei um ser “EM OBRAS”.
Então concluo com o pensamento de Karl Marx em sua crítica aos filósofos: “chega de explicar o mundo, precisamos é modificá-lo”
(eu estudo para isso).